Localizado dentro do Parque de Monserrate, distante 4 km do centro histórico de Sintra, o Palácio de Monserrate foi construído entre 1858-66 por ordem de Sir Francis Cook, visconde de Monserrate, para servir de residência de verão de sua família. Ao lado do Palácio da Pena, é um dos mais importantes exemplos da arquitetura Romântica em Portugal, mesclando influências góticas, indianas e mouriscas onde os motivos exóticos e vegetalistas do interior se prolongam harmoniosamente no exterior.
A história de Monserrate, como Quinta da Bela Vista, remonta à época em que Portugal se encontrava sob o domínio dos Mouros, com a construção de uma pequena capela no tempo da Reconquista cristã. Em 1540, a capela foi reconstruída em homenagem à Nossa Senhora de Monserrate. Em 1718, a família Mello e Castro compra a quinta e muda seu nome para Monserrate. Em 1790, a propriedade é alugada por Gerard DeVisme, comerciante inglês que enriqueceu graças ao monopólio da importação de pau-brasil, que manda construir um palacete neogótico.
Fonte do Tritão
Em 1856, após anos mudando de mãos, a propriedade está abandonada e em ruínas. Francis Cook, milionário inglês e comerciante de têxteis, compra a quinta e manda reconstruir o palácio, agora ao estilo neo-mourisco, e um notável jardim paisagístico de influência vitoriana, com mais de 3 mil espécies vindas de todo o mundo e organizadas por áreas geográficas, refletindo as diversas origens e compondo cenários ao longo de caminhos sinuosos, por entre ruínas, recantos, estátuas, lagos e cascatas.
Lustre e teto do Átrio Principal (esq) e Fonte do Tritão vista da Sala de Música (dir)
A família Cook deixou de vir anualmente a Monserrate após a depressão econômica dos anos 1930, quando colocou a propriedade à venda. Com o advento da Segunda Guerra Mundial, a venda só foi concretizada em 1946, para um antiquário que tentou a sua revenda em lotes. Este projeto forçou a intervenção do Governo e a aquisição pública das propriedades de Monserrate, em 1949. Entregue à Parques de Sintra, entidade que administra os demais palácios de Sintra, em 2000, que iniciou obras de recuperação e restauro que possibilitaram a sua reabertura.
Área externa do Palácio
O Palácio mantém a estrutura básica definida por DeVisme, dividido em diferentes espaços, destacando um corpo central e duas alas laterais simétricas com torres cilíndricas, unidas através de átrios e uma galeria central, para a qual abrem as várias salas do edifício. No exterior, antes de aceder ao terraço sobre o gramado, o visitante é recebido pela Fonte do Tritão, tendo como pano de fundo a fachada do torreão sul.
A decoração é constituída por uma série de elementos orientais, como minaretes, lanternins, cúpulas bulbosas, revestimentos de ornamentação vegetalista, geométrica e caligráfica, azulejos, cerâmicas, gessos e embutidos, além de colunas de mármore, janelas com múltiplos relevos e graciosas cúpulas, em estilos gótico e mourisco. O recorte dos arcos, as cimalhas bastante avançadas, os quatro pequenos minaretes, que coroam o corpo central e as coberturas bulbosas, são em estilo hindu.
Detalhes da fachada
Visão dos aposentos de Francis Cook
São doze os cômodos do palácio que podem ser explorados durante a visita. Infelizmente, a maioria está sem móveis, e alguns ainda apresentam as marcas do tempo, com sinais de mofo e infiltrações, visto que o trabalho de restauração ainda está longe de ser finalizado. Em cada ambiente, fotos históricas ajudam a reproduzir como o ambiente era quando mobiliado:
- Átrio Sul: Espaço octogonal com arcos góticos e colunas de mármore rosa. É uma das entradas do palácio, com ligação direta ao piso inferior onde fica a cozinha. Dá também acesso a dois pisos superiores onde se situavam os aposentos de Sir Francis Cook. O gesso decorativo do teto simula uma área coberta sob folhagem de carvalho e seria, originalmente, policromada;
- Átrio Principal: Fica no centro do palácio e é onde fica a fonte de alabastro, estátua e cúpula;
Fonte
- Escadaria: No átrio da escadaria do torreão central destacam-se os quatro painéis de alabastro vindos da Índia e a magnífica estrutura de pedra (degraus e guarda) decorada com um padrão de folhas de hera. Junto do caracol que formava o desenrolar do corrimão, encontrava-se uma estátua de mármore de Carrara de grandes dimensões, representando uma figura feminina sentada;
Cúpula do Átrio Principal
Detalhes da arquitetura
Detalhes da arquitetura
Fonte vista do piso superior
- Galeria Central: Corredor de ligação entre as diferentes salas e torres do palácio, integralmente revestida por padrão mourisco em estuque relevado. Para aumentar a sensação de profundidade, foram usadas séries de arcos e colunas em mármore rosa, que parecem querer multiplicar indefinidamente o espaço. Ao centro, uma fonte demarca o Átrio Principal;
Galeria Central.
- Sala de Música: Sem dúvidas a sala mais bonita do palácio. Ocupa a parte norte do edifício, apresenta planta circular, cujas janelas permitem apreciar a vista que se estende desde a serra até ao mar. Dotada de uma excelente acústica, é dominada pela impressionante cúpula em estuque, combinando o branco da pedra com o dourado dos motivos florais, e o friso com representações das musas e graças delicadamente esculpidas. É decorada com um piano Steinway várias esculturas de mármore;
Sala de Música
Sala de Música
Cúpula
- Sala de Bilhar: Era a sala de jogo da família Cook, exclusivamente dedicada ao bilhar inglês. Os dois espelhos que estão dispostos nas extremidades da sala refletem-se mutuamente e proporcionam uma sensação de prolongar o espaço “até ao infinito”, sensação semelhante à que que se tem na galeria central do, devido à sucessão de arcos;
- Sala de Estar Indiana: Também conhecida por “Sala de Desenho”, tem uma decoração de estuques idêntica à Sala de Bilhar. Destacam-se o florão central do teto e os dois potes (de fabricação portuguesa) da coleção de cerâmica de Sir Francis Cook. Fotografias da época permitem perceber que este espaço apresentava mobiliário de diversos estilos e origens, dos quais sobressaíam os dois sofás de madeira da Índia e os dois armários-vitrinas. Nas paredes surgiam panos de caxemira da Índia, tecidos com seda e um grande espelho com moldura de cristal de Veneza. Também aqui se encontravam muitas porcelanas orientais com relevo para duas grandes talhas da China;
- Biblioteca: Sobressai a porta em madeira de nogueira espanhola, finamente talhada no século 18. Trata-se da porta original e, anteriormente, tinha a face decorada voltada para o interior da sala. A biblioteca é o único espaço do piso térreo dotado de porta. O lustre atual (tipo holandês, do século 18) é semelhante ao que fotografias antigas mostram ter existido;
Porta original da Biblioteca (esq) e detalhes da decoração
- Cozinha: Situada no piso inferior, tem janelas e ligação direta com o exterior. O fogão, que uma chapa assinala ter sido fornecido pela Serralharia Lisbonense, constitui um exemplo raro, dado que não tem a chaminé superior: a fumaça é conduzida no interior do fogão e depois por um encanamento sob o pavimento, ligado a uma das chaminés do palácio.
Cozinha
Fechamos o passeio com a sala de jantar, a capela e o piso superior onde ficavam os aposentos privados da família Cook.
Saímos do Palácio e vamos explorar os Jardins de Monserrate, considerados uns dos mais importantes jardins paisagísticos ingleses fora da Inglaterra e uma das mais belas criações paisagísticas do Romantismo em Portugal. Entre os vários espaços que podem ser explorados a pé, destacamos:
Jardins vistos do terraço do Palácio
- Antigo Roseiral: Coleção de variedades históricas de roseiras dispostas no vale. Após a restauração do espaço em 2011, foram plantadas quase 900 roseiras;
- Jardim do Japão: Coleção da qual se destacam os Bambus e as Camélias;
Casa de Pedra, edifício hoje sede da Parques de Sintra-Monte da Lua. No andar de cima funcionava uma carpintaria e, no andar de baixo, uma vacaria
- Jardim do México: Área com cerca de 5 mil metros quadrados e 3.500 plantas de 11 famílias, é a zona mais quente e seca de Monserrate graças ao desvio da linha de água para a encosta. Reúne coleções de plantas de climas quentes: Palmeiras, Yuccas, Nolinas, Agaves e Cicas;
- Capela: Falsa ruína da autoria de Francis Cook criada a partir da capela edificada por Gerard DeVisme em substituição da antiga capela de Nossa Senhora de Monserrate. Engolida pela vegetação, a ruína é já indissociável da Árvore-da-borracha-australiana;
Capela
- Sarcófago Etrusco: O nicho da Capela continha um de três sarcófagos etruscos, os únicos existentes em Portugal, que serviam de ornamentos de jardim. Hoje integram o acervo do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas, em Sintra;
- Vale dos Fetos: Notável coleção de Fetos-arbóreos disposta num vale com singulares condições climáticas;
- Cascata de Beckford: Cascata artificial de dois níveis atribuída a William Beckford;
- Arco de Vathek: Arco em pedra atribuído a William Beckford, cuja designação remete para o nome do personagem principal do seu famoso romance, Vathek.
Arco de Vathek
Arco de Vathek
Como chegar:
A melhor maneira de chegar até Sintra é o trem. O serviço é operado pela CP (Comboios de Portugal), os trens saem das estações do Rossio e Entrecampos, em Lisboa, com ponto final na estação de Sintra. O castelo fica cerca de 3,5 km do centro histórico, um caminho sinuoso e belíssimo, feito pelo interior da Serra de Sintra, conhecido como a Rampa da Pena.
O jeito mais fácil de chegar ao Palácio de Monserrate é o ônibus 435 da empresa Scotturb, com saída da estação de trem de Sintra, que faz o chamado “Villa Express 4 Palácios”, passando pelo Palácio da Vila, o Palácio de Seteais, o Palácio da Regaleira e o Palácio de Monserrate. A passagem ida e volta custa 2,50€, pode ser comprada na fila, bilheteria ou máquinas de autoatendimento. Em todos os casos, só notas e moedas são aceitos.
Horário de funcionamento: Todos os dias das 10hs às 18hs, última entrada às 17hs
Quanto custa: Adultos pagam 6,50€, jovens até 17 anos e maiores de 65 anos pagam 5€, gratuito para crianças até 5 anos.
Para mais informações, acesse http://www.parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/parque-e-palacio-de-monserrate/.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
Palácio de Monserrate, Sintra (Portugal)
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017, 18:30
Sintra
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