segunda-feira, 8 de abril de 2013

Sorocaba – Yoshi's Japanese Food


Marinados de peixe branco e atum (acima), ostras e cogumelos na chapa com lula

O Yoshi’s é quase uma unanimidade em Sorocaba. Melhor restaurante japonês, para muitos o melhor restaurante da cidade, localizado no Campolim, um dos bairros mais badalados de Sorocaba, em frente ao agradável Parque Campolim e às margens da Rodovia Raposo Tavares.

O carro-chefe da casa é o vasto rodízio – são mais de 80 opções entre sushis, sashimis, temakis e pratos quentes, servidas em porções com 1, 2 ou 4 unidades. Se a variedade do cardápio é de fazer inveja a muitos japoneses de São Paulo, o preço é caro até para os padrões da maior cidade do Brasil: R$ 75 por pessoa (preço de fim de semana e feriados), bebidas não inclusas.

O lugar é bonito e imponente, lembra uma típica casa japonesa, com suas linhas arredondadas, paredes de pedra e bastante madeira exposta, luminárias redondas, plantas e um pequeno lago de carpas na entrada. Dividido em vários ambientes, símbolos orientais nas paredes e um grande aquário no primeiro piso completam a bela decoração. O único porém: o lugar é repleto de escadas, seja para entrar, para acessar os salões, para ir ao banheiro (!!!), o que torna pouco acessível para pessoas com idade avançada e com deficiência.



O cardápio mais parece um livro ilustrado, com fotos de quase todas as opções do cardápio, uma ótima ideia para quem não é muito habituado com a culinária japonesa e não sabe a diferença entre uramaki, hossomaki, shakejô, yasai, etc.



Se por um lado a quantidade de opções é um diferencial que merece ser respeitado, no dia da visita a qualidade mostrou grande instabilidade, chegando a decepcionar em pratos considerados simples. O problema mais nítido estava nos temakis: todos, sem exceção, vieram com alga molenga. E olha que foram muitos pedidos – pelo menos uns 15. Restaurante que não consegue servir um temaki com alga crocante não merece meu respeito. Uma pena, pois os recheios estavam sensacionais.


Temakis - bem recheados, mas com alga molenga

Os niguirisushis estavam bons, porém muito quebradiços – talvez pela qualidade do arroz, talvez por estar cozido demais. O yakimeshi de camarão (arroz com cenoura, cebolinha e camarões pequenos) tinha gosto de velho, passado, arroz requentado – tinha mais cara de “sorobô”. O salmão do shakejô (hossomaki com salmão em volta) tinha gosto e aparência de congelado. A lula na chapa com shiitake e shimeji veio extremamente borrachenta, o que não aconteceu na versão à dorê, que por sua vez estava pesada, com forte gosto de fritura.


Sashimis de salmão, peixe branco, atum e polvo

O bolinho de salmão, o guioza, o teppan de salmão e o chickenkatsu (frango à milanesa) estavam na média, sem nada de mais. Entre os (poucos) acertos, o tempurá de camarão estava crocante e saboroso – como sugestão, poderia ficar melhor com um molhinho levemente picante. Os sashimis de salmão, atum, peixe branco e polvo, bem cortados e preparados com cuidado, merecem elogios.


Niguirisushis de camarão e salmão

Pela primeira vez conheci um restaurante que não gosta de servir wasabi (raiz forte) e gengibre para os clientes. Acho que, no fim do dia, os garçons são colocados sem camisa de costas na parede e, para cada bolinha de raiz forte que serviram, ganham 10 chibatadas. Só pode ser isso. Pedimos wasabi CINCO VEZES, e ninguém veio servir. Só tive sucesso depois de levantar e ir até o sushiman pedir. Ele me disse que “levaria à minha mesa”, mas eu disse que só sairia da frente dele com o wasabi. Me deixou esperando 5 minutos, dois garçons vieram falar comigo para saber “se havia algo de errado”, mas deu certo.


Tempurá de camarão

No quesito bebidas, bons sucos (como a elogiada combinação de abacaxi com gengibre) e a ótima cerveja Sapporo bem gelada – só faltou um baldinho com gelo. Entre as decepções, os “sucos cremosos” não passam de batidos com leite bem líquidos e extremamente doces.


Suco de abacaxi com gengibre e a sempre ótima Sapporo

A carta de sobremesas tem mais de 10 opções, mas optamos por pedir harumakis (o velho “rolinho primavera”) doces, inclusos no preço do rodízio, servidos em 4 sabores: doce de leite, brigadeiro, beijinho e banana.

Como em qualquer outro restaurante que busca diferenciar-se pela quantidade de pratos (além do Yoshi’s, posso citar o badalado Aoyama, de São Paulo), o ato de servir os pedidos precisa melhorar. Não é um problema isolado do Yoshi’s, embora lá o negócio fique bem mais aparente. Casais e grupos de até 4 pessoas não têm do que reclamar, mas o atendimento pode ser uma verdadeira catástrofe para grupos maiores – no dia da visita estávamos em 8 pessoas, e todos saíram insatisfeitos com o atendimento. Imagina um restaurante com mais de 80 opções no cardápio, porções pequenas, em que cada pessoa na mesa pode pedir o que quiser, a qualquer hora. A chance de virar bagunça é grande:

- Cenário 1: Alguém pede temaki de salmão com cream cheese, outra pessoa pede sem. O pedido chega tudo junto, e quem traz à mesa, que geralmente não é um garçom (talvez alguém da cozinha, do sushibar, sei lá), simplesmente não sabe dizer qual é qual. A chance de você comer o que não pediu é grande;

- Cenário 2: Imagine um grupo grande, cada um pede um ou dois niguirisushis, peixes variados, tudo chega junto (normalmente 10, 15 minutos depois) e é colocado no meio da mesa. Depois de muita conversa, a chance da pessoa lembrar o que (e quantas unidades) pediu é quase zero. Cada um vai comer o que achar mais bonito, mesmo que não tenha sido pedido por ele(a);

- Cenário 3: Duas pessoas pedem tempurá de camarão (servido por unidade), cada uma de um lado da mesa. O pedido chega, é colocado em qualquer lugar (normalmente, onde existe espaço livre), a primeira pessoa come, mas sequer sabe quem mais pediu. Por outro lado, há uma grande chance da outra pessoa nem perceber que o pedido chegou. Além da chance de alguém comer o que você pediu, quando você for comer a fritura já estará um lixo.


Temaki de camarão

Alguém certamente vai dizer “okay, o primeiro exemplo é culpa do restaurante que não informou, mas nos outros dois a culpa é da desorganização da mesa, não do restaurante”. Concordo, mas não seria melhor controlar o que cada pessoa pediu – algo simples, tipo “cadeira X, pedido Y”, e entregar diretamente para quem pediu? Tudo bem, posso fazer 1 pedido com 10 niguisushis de salmão, ao invés de 5 pedidos com 2 unidades cada, mas aí é problema da mesa – a casa deveria ser capaz de servir as duas opções sem maiores problemas. Ou então usar a velha (e pouco amigável) estratégia do “quantas pessoas querem temaki?”, “e niguiri de salmão?”, “e shakejô de camarão?”, “mais alguém vai querer tempurá de camarão?”. É chato, faz o restaurante parecer uma feira livre, mas funciona.


Yakimeshi de camarão

No dia da visita, o atendimento mostrou-se lento - foram raros os pedidos que chegaram em menos de 15 minutos. Okay, a casa estava muito cheia, mas o principal trunfo do sistema de rodízio é servir as mesas rapidinho, o que garante o giro. Rodízio lento joga contra a própria casa. No final da refeição, os pratos começaram a chegar com mais rapidez, mas a qualidade não melhorou muito.

Por fim, o quesito higiene foi decisivo para que eu decidisse não fazer uma segunda visita. Um restaurante que quer diferenciar-se pela quantidade de opções e servi-las em pequenas porções para evitar desperdício, precisa saber que limpar as mesas de tempos em tempos é tão importante quanto servir uma boa comida. No dia da visita, nossa mesa só foi limpa uma única vez, depois que decidimos empilhar os pratos e pedir, de forma insistente, para que alguém os retirasse. Reparamos que as demais mesas tinham o mesmo problema.

Para sacramentar a péssima impressão, tivemos a sorte (ou o azar) de sentarmos bem ao lado do bar, onde foi possível notar um balcão relativamente pequeno, no qual as porções eram colocadas à espera dos garçons. Foi um choque quando vimos que, no mesmo balcão, também eram colocadas pilhas de louça e copos sujos – às vezes o espaço só tinha comida fresca, às vezes só restos de comida e louça suja. E eu não presenciei ninguém passando um simples pano com alcool no balcão, sempre que a louça suja era retirada. Sem comentários.

É bem provável que tenhamos conhecido o Yoshi’s num dia de azar. Acredito que, se fossemos um grupo com no máximo 4 pessoas, a chance de termos uma opinião diferente seria grande. Sei que fui no pior dia da semana (domingo), na “hora do rush” (13hs, hora de almoço e casa lotada), com um grupo grande, o que torna tudo mais difícil. Respeito quem gosta do lugar, mas não gostei. Ponto.

Endereço: Rua Julio Marcondes Guimarães, 189 - Parque Campolim
Telefone: +55 (15) 3211-9165 e 3212-4177
Horário de funcionamento: Segunda e terça das 18h30 às 23h30, quarta a sexta das 12hs às 15hs e das 18h30 às 23h30, sábado das 12hs às 0h30, domingo das 12hs às 22hs.
Internet: http://www.yoshis.com.br

2 comentários:

Diego Mastroianni disse...

Belo post, belas fotos!
Tem um restaurante aqui em Montreal que é mais simples: cada item tem um numero, e na mesa existem papeizinhos para escolher pelo numero (e a quantidade).

Daniel Neves disse...

Grande Diego, a ideia dos papeizinhos funciona bem se o garçom sabe quem fez o pedido e o entrega para a pessoa certa. O Yoshi's simplesmente coloca em qualquer lugar da mesa que tenha um espacinho livre, sem dar a menor bola para quem pediu.

Como funciona aí no restaurante para grupos grandes? A lógica dos papeizinhos funciona bem, eles sabem quem fez o pedido e o entregam para a pessoa certa?

Abração!

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