quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Bogotá – Harry Sasson e Harry’s Bar (Zona G)


Cheesecake de Frutos Rojos

Falar em Harry Sasson é falar de sofisticação, comida impecável e experiência inesquecível, restaurante que divide com Versión Original (Zona G), Criterión (Zona G), Leo Cocina y Cava (La Macarena) e Andrés DC (Zona T) o posto de mesa mais concorrida da cidade. Já o Harry’s Bar é mais informal mas sem perder a imponência, sinônimo de ambiente de negócios e um dos restaurantes mais cultuados da Zona G. A duas casas pertencem ao bogotano Harry Sasson, talvez o chef mais famoso da Colômbia e dono de outras três casas em Bogotá: Harry’s Bakery, Balzac e Club Colômbia.

Instalado em um lindo casarão em uma das áreas mais nobres de Bogotá ao lado da Zona G, pense no Harry Sasson para um evento especial ou um jantar requintado, onde comida, serviço e local devem ser no mínimo impecáveis. O restaurante preserva as características do imóvel antigo e agrega alguns elementos contemporâneos à sua arquitetura, como o lindo espaço envidraçado com um imponente bar ao centro usado como salão principal, cercado de plantas e em perfeita harmonia entre antigo e novo. Já o Harry’s Bar ocupa um salão espaçoso com árvores e teto de vidro no coração da Zona G – para quem conhece, lembra muito o Figueira Rubaiyat (SP). Com um ambiente mais austero, sem dúvidas muitos negócios importantes foram fechados nas suas mesas.


Harry Sasson


Harry Sasson

Em comum as duas cartas (disponíveis no site http://www.harrysasson.com/) oferecem excepcionais cortes de carnes, além de boa oferta de pescados e frutos do mar, entretanto as mais de 40 opções de entradas do Harry Sasson confirmam: aqui é um lugar para tapear, para compartilhar um banquete de sabores, cores e aromas, e com estilo. Já a carta do Harry’s Bar é mais sucinta e austera que a da casa-mãe, apenas uma página apresenta cerca de 15 opções de carnes, 15 de sopas e saladas, 15 de peixes, frutos do mar, massas e sanduíches, e cerca de 20 acompanhamentos. E só.


Couvert do Harry's Bar: pães quentinhos com uma deliciosa burrata


Couvert do Harry Sasson: pães quentinhos (o de queijo é imperdível) com manteiga

Nas duas visitas que fizemos em cada restaurante, provamos um total de 12 pratos entre entradas, pratos principais, acompanhamentos e sobremesas. A idéia de fazer um único review com os dois restaurantes é um desafio inédito para este blog, e visa facilitar a comparação dos cardápios e listar os acertos e erros das duas casas. Ou seja, te ajudar a decidir qual deles escolher para sua refeição, dependendo dos seus gostos e do que está buscando. E estaremos super felizes se, ao final deste post, você escolher as duas casas!

Quando o assunto são entradas, o Harry Sasson é um lugar de grandes acertos e pratos memoráveis como os espetaculares “Portobellos” (COP 26,800), pedaços de cogumelos Portobello cobertos por um mix de queijos mussarela, brie, fontina e parmesão, gratinados no forno à lenha. Prato bem servido, a crosta de queijo tem quase 1 dedo de altura e é incrivelmente saborosa, na boca prevalecem os sabores dos queijos fortes como parmesão, brie e fontina. Os cogumelos são grandes e tenros, de sabor marcante, e formam uma bela parceria com os queijos.


Portobellos

Outro prato que guardaremos grandes recordações por muito tempo é a “Robata de Scallops” (COP 48,900) são quatro vieiras gigantescas preparadas ao estilo robata japonesa (espetinho), grelhadas na chama de pedra vulcânica, cobertas por um suave pesto de manjericão, finalizado com um toque de limão e pedacinhos de amêndoas. Um prato para os amantes de vieiras, esqueça o preço alto e aprecie cada mordida, o toque cítrico com o manjericão realçam o sabor levemente doce das vieiras, provavelmente as melhores que comi até hoje na vida.


Robata de Scallops

Sim, o Harry Sasson tem polvo, e não podíamos perder a oportunidade de avaliar mais um candidato na nossa busca pelo melhor polvo de Bogotá. O “Pulpo” (COP 32,800) da casa é assado e servido sobre uma base de batatas amassadas, finalizado com lâminas de chorizo e um toque de páprica, tudo gerenosamente regado com azeite. Claramente eles tentaram dourar ao máximo a pele para deixá-la fininha e crocante e não molengona, o excesso que tive que tirar é irrelevante – lembrando que a questão da pele é puramente de gosto, não desabona o prato. Como avaliação geral, é um prato excelente. Carne tenra bem servida e de excelente textura, tem como base uma caminha de batatas cozidas e amassadas com o garfo de forma bem rústica. Para finalizar, as lâminas de chorizo têm toque picante típico. A mistura de batata, chorizo e polvo é clássica, mas aqui ela destaca-se pela qualidade dos ingredientes e preparo com esmero. Um grande concorrente.


Pulpo

O “Centro de Lomo” do Harry’s Bar é uma carne que seduz a cada mordida. São cerca de 330 gramas de um bombom de filé mignon, preparado ao ponto ou “ao ponto pra bem passado” (chamado aqui na Colômbia de “três quartos”). Uma carne alta, suculemta, com interior rosado e excelente textura. Acompanha o prato um potinho de molho – são oito opções, como o que combina manteiga, alho frito e tomilho.


Centro de Lomo

Os acompanhamentos para as carnes são pagos à parte, como o inesquecível “Gnocchi al Gongonzola” (COP 19,900), muito mais do que uma simples guarnição, é a segunda mehor massa que comemos em Bogotá (e porque é impossível bater o ravioli de cordeiro da Trattoria Nuraghe). A textura do nhoque é impressionante, chega no ponto perfeito. Mas é a a leveza que merece aplausos, não me lembro quando foi a última vez que comi um toque não suave, que derrete na boca apenas ao tocar a língua. E se você gosta de gorgonzola vai pirar com o molho, consistente e de sabor bem intenso de queijo.


Gnocchi al Gongonzola

O "Risotto con porccini, hongos silvestres, mascarpone y parmesano" (COP 42,900) combina um mix de cogumelos, queijos mascarpone e parmesão. Pessoalmente sou fã de pratos com mascarpone, seja na preparação de risotos ou principalmente em sobremesas (a combinação com goiaba é uma delícia). Arroz com textura e cozimento perfeitos, molhadinho e com gosto intenso de cogumelos, completado pelo toque leve do mascarpone e pela explosão de sabores do parmesão. Sem dúvidas um senhor risoto.


Risotto con porccini, hongos silvestres, mascarpone y parmesano

Mas nem tudo foram acertos. A “Empanada de la Casa” (COP 20,900) do Harry’s Sasson, preparada segundo a carta “ao estilo argentino”, é recheada com pedaços de carne, cebola e uvas passas, assada no forno à lenha. A primeira escorregada está no tamanho da empanada, cerca de 20cm, é impossível comê-la com as mãos – e empanada que se come de garfo e faca não é empanada. O correto seria aproveitar que a massa é deliciosa e chega com aquele gostinho típico de forno à lenha e servir duas de 10cm, seria uma experiência muito mais interessante. Os pedaços de carne são extremamente tenros e macios, o aroma é irresistível, porém são grandes demais. Segundo erro. Por fim, o recheio é úmido, porém úmido demais – acho que a foto fala por si.


Empanada de la Casa

Durante nossa primeira visita ao Harry’s Bar, um prato da carta nos chamou a atenção: “Lobster Roll” (COP 48,900). Obviamente veio a imagem dos lobster rolls novaioquinos, os pedaços tenros de lagosta salteados com alho e limão e servidos em um pão brioche macio e quentinho. Tínhamos que prová-lo.

Voltamos e provamos. Esqueça qualquer referência do lanche mais típico de NY. Os caras desconstruíram (para não dizer DESTRUÍRAM) uma maiores identidades da cozinha americana, aqui a carne de lagosta é aberta como um bife, empanada e frita, deixando-a como um hambúrguer. Calma, eu posso piorar: em uma das pontas, eles deixam a CASCA da lagosta presa à carne – não me perguntem porquê. Sei lá, mas acho que fazer um hambúrguer de lagosta é tão ofensivo quanto preparar carne moída de kobe beef japonês.


Lobster Roll

A lagosta é servida no pão de hambúrguer, acompanhada de uma salada Ceasar e fatias de tomate. Antes de comer você terá que fazer uma verdadeira sessão de academia – tirar a lagosta do lanche e desfiá-la você mesmo, já que além da casca existem alguns pontos mais duros da carne que não são muito saborosos. Com tudo devidamente desfiado, retorne a carne para o lanche e corra para a galera, comer com as mãos como só um(a) apreciador(a) de sanduíche sabe fazer. A carne é saborosa, mas é um lanche bem decepcionante para quem pensa “lobster roll” e imagina os food trucks em NY vendendo aquela passagem para o paraíso em forma de sanduíche.


Banano

Sem dúvidas o “Cheesecake de Frutos Rojos” do Harry’s Bar foi a melhor sobremesa que provamos nas duas casas, e uma das melhores em quase 1 ano de Bogotá. Alto, deliciosamente gorducho, denso e com o gostinho de queijo como os melhores cheesecakes de NY, vem coberto por uma generosa calda de frutas vermelhas. IMPERDÍVEL. Do Harry Sasson, todos os elogios para o “Banano” (COP 15,900), são camadas de uma massa folhada leve e crocante, intercaladas por um delicioso creme de banana (com pedacinhos da fruta) e Nutella, acompanhado por uma bolinha de sorvete de chocolate. O negócio é SENSACIONAL, além de gigantesco – é uma sobremesa para compartilhar com alguém.


Chocolate

Mas as duas casas decepcionaram nas sobremesas à base de chocolate. Com o simples nome de “Chocolate” (COP 15,900), a sobremesa do Harry Sasson é uma espécie de petit gateau com uma bola de sorvete por cima – você pode escolher entre cereja ou creme. A do Harry’s Bar tem um nome mais pomposo – “Torta de Chocolate Caliente Rellena de Nocciola” (COP 15,900) mas o princípio é o mesmo, com a diferença que, além do sorvete de nozes, o recheio do bolinho tem pedaços de noz pecán. Em ambos os casos, o bolinho chega levemente queimado nas laterais e praticamente cru embaixo do sorvete. Para mim não funciona.


Torta de Chocolate Caliente Rellena de Nocciola

Para fechar, Harry Sasson e Harry’s Bar têm a melhor carta de vinhos de Bogotá – não pela quantidade (são cerca de 70 rótulos entre brancos, tintos e rosados), tampouco pela qualidade geral dos rótulos – há grandes clássicos e vinhos que eu não colocaria na carta do meu restaurante. Todavia, o grande diferencial da casa em relação a qualquer outro restaurante da cidade é que todos, eu disse TODOS os vinhos da casa podem ser pedidos em meia-garrafa (servidos em um charmoso decanter) e taça, e com preços bem acessíveis – por exemplo, o melhor branco da casa é o Enate Chardonnay Somontano 234 safra 2012, um espanhol bem frutado vendido a COP 95,000 a garrafa, COP 50,000 a meia-garrafa (375ml) e COP 18,000 a taça (125 ml).


Suco de lulo (esq) e suco de tangerina (dir)


Decanter usado quando o cliente pede um vinho em meia-garrafa

Tornar 100% da carta de vinhos acessível para todos os perfis de clientes, possibilitar que todos possam desfrutar uma taça de vinho, mesmo os que estão sozinhos e que não tomarão uma garrafa sozinhos. É óbvio que isso é um agrado para os clientes, e uma baita sacada para a casa, que aumenta a venda da bebida. Você não só venderá mais garrafas, como agregará valor a cada uma delas – e aumentará seu lucro. Os dois lados saem ganhando.

Harry Sasson: Carrera 9 # 75-70
Harry’s Bar: Calle 70 # 5-57
Horários de funcionamento: Segunda a sábado das 12hs à meia-noite, fechado domingo.
Internet: http://www.harrysasson.com/

2 comentários:

Patricia Leardine disse...

Que legal. Estava curiosa quanto aos restaurantes em destinos na América do Sul e encontrei ótimas dicas aqui no blog. Aliás, já favoritei aqui porque fui atraída logo de cara pelo nome. Comer e viajar são duas combinações perfeitas. Não vejo uma experiência sem a outra. Parabéns!

Larissa Fernandes disse...

Olá, Daniel! Meu nome é Larissa, sou noiva do Rodrigo e nossa lua de mel será em janeiro, no Chile. Já planejamos uma prévia do roteiro, mas faltam lugares para conhecermos. Pensamos em começar em Santiago, seguindo para Pucón, San Martin e, por último, Puerto Varas. Você pode nos sugerir alguns roteiros? Pode ser cidades diferentes, de preferência no sul do Chile. Muito obrigada.

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