quinta-feira, 1 de março de 2012

Froseira e Doiras


Jamón, chorizo (feitos no próprio "pueblo") e queijo manchego

Saímos de Luarca e pegamos a estrada a caminho de Navia, a cidade que serviu de base para os dias que se seguiram. Após uma noite bem dormida, acordamos cedo e fomos a um lugar que é um verdadeiro achado, chamado Froseira, localizado na região de Boal, a poucos minutos de carro da divisa com a Galícia.

Chegar em Froseira não é nada fácil: uma estradinha bem sinalizada (e sinuosa) nos leva a Doiras em pouco mais de 45 minutos, e de lá pegamos uma saída em direção ao nosso destino. Aliás, uma estrada de pouco mais de 1 km, em muitos pontos sem acostamento, e em vários onde apenas um carro passa por vez. Mas a melhor parte da viagem certamente é precipício ao lado da estrada. Em compensação, a vista é sensacional - impossível não parar para apreciá-la e tirar fotos.











Para quem não sabe (bom, acredito que ninguém saiba), Froseira é bastante conhecida por um fato curioso: possui apenas 1 habitante. Sim, eu disse UM habitante – uma senhora muito amável chamada Otília, de pouco mais de 80 anos.

Não acredita? Dá uma olhadinha no Wikipedia - http://es.wikipedia.org/wiki/Froseira. A TVE fez uma matéria sobre Froseira, disponível no YouTube no endereço: http://www.youtube.com/watch?v=AMJulML_5Bs.

Froseira é muito visitada pelos amantes de caminhadas, e seria mais um dos muitos lugares das Astúrias com belas paisagens não fosse um segundo fato, decisivo para justificar nossa visita: a dona Otília, única moradora de Froseira, é tia da Luciana, minha esposa.

Fomos recebidos pela dona da casa com uma bela garrafa de sidra, produzida artesanalmente na região. Durante anos ela mesma produziu suas próprias sidras - a propriedade possui uma macieira, e um quartinho com todos os equipamentos para prensar, recolher o caldo, armazenar, acompanhar a fermentação, engarrafar e rolhar – , mas com a chegada da idade a responsabilidade ficou com seus 2 filhos, que atualmente colocam a mão na massa.



Eles também produzem vinho – tive a chance de provar a safra 2011 e que, segundo eles, tinha passado do ponto de fermentação. Sabor jovem, bastante frutado, leve gosto de uva passada (mas nada que incomode ao beber), lembrava mais um suco.

A dona Otília é provavelmente muito mais ativa do que muita gente com metade da idade dela: cuida de porcos e produz, com a ajuda dos filhos, belas patas de jamón ibérico, que são penduradas no teto da própria sala para serem curtidas; tem um pequeno moinho em casa que em tempos áureos serviu para a produção de pão, e hoje é usado para fazer farinha para os porcos.









Na parte de baixo da casa passa um rio, no passado com água abundante para mover o moinho, hoje está praticamente seco. Uma pena.




Vista de Doiras. Feio o lugar, né?

De volta a Doiras, paramos no único bar da estrada, chamado “Bar da Hortência”, cujos donos também são parentes da Luciana. Muita conversa boa, fui apresentado à família e às tradições gastronômicas da Mari Carmén, a prima: queijo manchego, jamón ibérico de Froseira, chorizo e morcilla asturiana, os dois últimos feitos por ela. Um banquete sensacional.

Na ordem: o queijo tem sabor intenso de leite; o jamón, embora saboroso, não me agradou muito pela quantidade de gordura; o chorizo é provavelmente o que comi de melhor na viagem toda (juro que pensei em colocar umas peças na mala de volta), e a morcilla (feita com sangue de porco, cebola, bacon e páprica, servida cozida/frita), que não tem nada a ver com a versão que conhecemos, chamada “morcilla de Burgos” (feita com arroz), tem sabor bastante forte.

Para quem quiser conhecer melhor a região, ao lado do Bar da Hortência está o Hotel “El Palacio”, um 2 estrelas bastante agradável, também de propriedade da família.



Voltamos à Navia, com a barriga cheia de comida, a máquina cheia de fotos para lembrar da visita e a certeza de que voltaremos em breve.

1 comentários:

Pepe Martz disse...

PARABENS ! ADOREI!

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